Thursday, September 14, 2006

Texto 2
Capítulo I - A gente quer comida, diversão e arte
Nem a distância é capaz
de apagar a nossa história

Para os não-íntimos, Fernanda, Liliane, Roberta e Samara. Entre elas mesmas, Ferdi, Lili, Beta, Sam — e isso basta. Nada de nomes completos, nada de formalidades: meias-palavras, olhares, códigos já dizem tudo. São quatro caminhos totalmente diferentes que, por mais distantes que parecessem — uns mais, outros menos — acabaram se unindo. No meio disso tudo, como um fio condutor, a música, o rock, a banda, os caras — os Titãs.
Mas não foi apenas a música que fez pessoas tão diferentes se juntarem. Com muitas afinidades além, essas quatro garotas se transformaram em amigas e já aprontaram muito e, agora, relembram todas as aventuras nas páginas que seguem.
Era 1991 e os Titãs se preparavam para lançar o escatológico e irreverente “Tudo Ao Mesmo Tempo Agora”. Ferdi e Lili estudavam em um tradicionalíssimo colégio católico de Belo Horizonte e estavam bem longe de entender toda aquela porrada musical. A única “porrada” que entendiam, aliás, era uma outra, bem infantil até: a rixa turno da manhã versus turno da tarde. Entre os matutinos, Lili, ariana, elemento fogo. Entre os vespertinos, Ferdi, libriana, elemento ar. Mal sabiam elas que, pouco mais tarde tudo ia se transformar e, como rezam as leis da física, o ar alimenta o fogo e o fogo aquece o ar.
Foi em 1995, época em que os Titãs voltavam de férias para lançar o álbum “Domingo”, que o encontro se deu. A principio, as duas não foram muito com a cara uma da outra — a expressão não passa de um eufemismo; na verdade, elas se odiavam. O tempo passou e o destino se encarregou de colocá-las lado-a-lado, literalmente. Sim, existiam inúmeras outras combinações dentro da sala de aula, mas logo elas, as inimigas, foram as escolhidas para dividir espaço. Castigo cruel? Não. Dizem que Ele escreve certo por linhas tortas — e é verdade: descobriram que tinham muito mais em comum do que a raiva mútua. Gostavam de fazer as mesmas coisas, adoravam e detestavam as mesmas matérias, queriam ter a mesma profissão quando crescessem, ouviam as mesmas músicas. Maktub: estava selada a amizade. E lá se vão dez anos de parceria.
Em 2000, os Titãs concluíram a turnê do CD “As Dez Mais” e anunciaram férias. Mas os fãs nem pensavam nessa possibilidade. As listas virtuais de discussão sobre a banda continuaram funcionando a todo vapor. Foi nessa época que a carioca — radicada capixaba — Beta descobriu as belo-horizontinas. E não foi nada difícil para que se criasse um laço de amizade entre elas.
“A Melhor Banda de Todos os Tempos da Última Semana” marcava a volta dos Titãs. Em um site criado em homenagem ao titã Paulo Miklos, Lili deixou um recado, disposta a fazer novas amizades com gente que curtisse o trabalho do músico sozinho e com os Titãs. Foi aí que Sam a conheceu. Algum tempo depois, uma fã da banda, de São Paulo, passou para Samara o endereço da casa de Ferdi e não demorou muito para que as duas começassem a trocar cartas, como se fossem velhas amigas.
Em meados de 2002, Sam foi parar no blog pessoal de Beta. Ficou impressionada com o quanto as duas tinham em comum. O gosto musical, cinematográfico e até profissional eram idênticos. O resultado não podia ser outro: mais um elo de amizade.
E foi no mesmo ano que, Beta saiu de Guarapari para assistir ao festival Pop Rock Brasil em Belo Horizonte, onde, enfim, conheceria pessoalmente Ferdi e Lili. Em janeiro de 2004, as três curtiram juntas um show dos Titãs, acompanhadas de outras amigas, desta vez na cidade de Beta.
Também foi na cidade de Beta que rolou o encontro entre Beta, Ferdi e Sam, em janeiro de 2005. Samara se deslocou de Fortaleza para conhecer as amigas e, junto delas, assistir a mais uma apresentação dos Titãs na cidade litorânea. Lili não pôde comparecer ao encontro porque não estava de férias do jornal onde trabalha. Afinal alguém precisa trabalhar nessa turma.
Como quatro comunicólogas — Sam e Beta da Publicidade, Ferdi e Lili do Jornalismo — era de se imaginar que não seria difícil se estabelecer uma interação, ainda que quilômetros de distância separem as duas belo-horizontinas, a “capixaba” e a cearense.
Quando existe uma paixão em comum, no caso os Titãs, é fácil que se crie uma relação de amizade. Mas elas não pararam por aí: além de tudo isso, sempre existiu confiança, companheirismo e lealdade. Por isso, elas se tornaram amigas — amigas do tipo irmãs e irmãs do tipo quadrigêmeas.

“Nem a distância é capaz de apagar a nossa história” – Demais (Titãs – 1984)

3 Palavras:

Anonymous Renata said...

Meninas
Estou aqui pra dizer q me encantei com o talento e a coragem de vc´s ao publicarem o livro. A Beta mandou uma cópia e ainda não li todos os textos, mas me vi em várias situações e me identifiquei totalmente. Vamos combinar: ser fã é uma arte!
Escolhi este Texto 1 p/ deixar meu comentário pq adorei o título dele: "Nem a distância é capaz de apagar a nossa história". A banda um dia pode acabar, outros músicos podem sair, mas a amizade de vc´s será eterna.
Parabéns pela iniciativa!
Beijos,
Renata

9:07 PM  
Anonymous Anonymous said...

Quanta bobagem...

11:28 PM  
Blogger .Noites que não dormi. said...

fantástico!
estou adorando...

6:27 PM  

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