Thursday, September 14, 2006

Texto 6
Precisa perder o
medo da música

Era verão de 1990. O casal, Luiz Carlos e Doraléia — a quem eu chamo carinhosamente de papai e mamãe — passeava de carro pela orla de uma praia no Espírito Santo. No banco de trás do veículo estávamos eu, Fernanda, na época com 6 anos, minha irmã Paula, ainda um bebê, e Renzo, meu primo, sete anos mais velho do que eu. O som estava ligado em volume baixo e uma música viria a quebrar a tranqüilidade que pairava no ar. Ao ouvir os primeiros acordes da música O Pulso, Renzo ficou louco e obrigou meus pais a aumentarem o volume ao máximo. Eu, que estava “viajando” na paisagem que via pela janela, passei a prestar a atenção na letra da música e tive um acesso de fúria. Confesso que era uma criança cheia de neuras e pouco hipocondríaca. Ouvir aquele diagnóstico sendo berrado pelo rádio me deu medo de ficar doente. Tapei os ouvidos com a mão e comecei a implorar para que desligassem o som. Minha mãe até fez minha vontade, mas aquilo se tornou um prato cheio para meu primo, que a partir daquele dia, sempre que queria me irritar, olhava para mim e despejava: “Peste bubônica, câncer, pneumonia, raiva, rubéola, tuberculose, anemia...”. E eu chorava, como chorava.
Em 1993, passei a ter aulas com uma professora que simplesmente amava os Titãs. Sempre que podia, Sandra levava para seus alunos alguma composição da banda. É claro que ela se limitava a levar músicas “permitidas” para alunos da terceira série de um colégio de freiras. O fato é que eu não gostava nem um pouco. Lembro-me de sempre pensar: “Por que tudo dessa professora é esse tal de Titãs?”.
É incrível, mas eu resisti bravamente antes de cair de amores por aquela banda. Só fui vê-los com bons olhos — ou ouvi-los com bons ouvidos — em 1997. Me lembro como se fosse hoje de minha mãe chegando em casa com o CD Acústico MTV — Titãs. Ela colocou no som e começou a escutá-lo. Atenta ao que ouvia, comecei a identificar várias canções. Fui me lembrando de quase todas, que de uma forma ou de outra marcaram minha infância. Não parei de ouvir aquele CD durante muitos dias. Foi o pontapé inicial para que eu começasse a me interessar pela banda. Não tenho receio nenhum em dizer que sou uma fã conquistada na era Acústico. Isso porque eu tinha apenas 13 anos e acho mais que natural que seja nessa fase da vida que as pessoas passem a formar seus gostos e opiniões. Foi por causa do Acústico que ouvi o Cabeça Dinossauro, o Titanomaquia, O Blesq Blõm e todos os outros. Foi por causa do Acústico que passei a comprar tudo o que saia sobre os Titãs na imprensa, a gravar todas as suas aparições na TV. Sinto que eu entendi o que eles queriam dizer com aquele álbum e por ter entendido sou fã, das mais fiéis, ainda hoje.
Comecei a freqüentar os shows da banda acompanhada da minha amiga Lili. A princípio, íamos aos shows acompanhadas de algum responsável, até adquirimos uma certa autonomia para irmos sozinhas. O início da turnê da Melhor Banda De Todos os Tempos da Última Semana coincidiu com a época que completei dezoito anos e, conseqüentemente, fiquei mais independente. Desde então me tornei praticamente um “arroz de festa”. Procuro ir a todos os shows que os Titãs fazem em Minas e às vezes em outros estados também. adoro conversar com a banda, tirar foto, embora às vezes eu fique até sem graça por aparecer tanto. Esses momentos sempre são especiais, só não mais do que aquele em que vejo os Titãs subirem ao palco. A sensação que tenho hoje, mesmo depois de tantos shows que até perdi a conta, é exatamente a mesma do primeiro que assisti. E quando ouço “peste bubônica, câncer, pneumonia, raiva, rubéola, tuberculose, anemia...” quase vou ao delírio.

Fernanda Pinho – Belo Horizonte/MG

“Precisa perder o medo da música” – Medo (Õ Blesq Blom – 1989)

3 Palavras:

Anonymous Fabiana Yoko said...

Oi...
Estou lendo e adorando o livro de vcs...
Passando pelo Tias.net.. achei isso acho que vão gostar!!!

BJU











TONY NEWS
19/09/2006


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Quanto tempo! Não sei o que me deu. Acho que é o tal "branco" que acomete os escritores de vez em quando. Não conseguia escrever mais "news". Achei que tinha secado a fonte. Mas era passageiro, graças aos deuses. Desde o show em Boa Vista que estava para escrever, narrando quão especial foi a passagem por Boa Vista. Grande público! Fomos muito bem recebidos. É gratificante sentir-se amado pelo Brasil profundo (pelo raso também). Era a última capital, a única em que ainda não havíamos tocado. Agora o álbum está completo! Aconteceu muita coisa de lá pra cá. A mais memorável, o livro da Fernanda, Liliane, Samara e Roberta: Não, Ela Não Parece. A Vida É Uma Festa. Imperdível. Fãs assim fazem a gente se sentir importante. E escrevem muito bem as meninas (concorrência à vista...) Recomendo a leitura. No mais, estamos na estrada, de onde nunca saímos. Trabalho novo engatinhando, começando a dar os primeiros passos. Os primeiros sinais são bem animadores...É isso, parabéns Sérgio Britto, continue iluminado pelas grandes e belas letras e melodias. O Britão é um cara, além de muito talentoso, sério, honrado, firme e verdadeiro. Qualidades muito raras hoje em dia. Vamos comemorar! Fui!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! PS1: Depois de elogiar as fãs de Santa Catarina e Minas Gerais, não posso deixar de citar a presença constante e ativa de algumas fãs paulistas que, junto com os bons companheiros do Fã-Clube Oficial, provam que o verdadeiro fã dos Titãs é sempre um habitante de Lugar Nenhum. PS2: Voto consciente, moçada! Vamos varrer do mapa mensaleiros, sanguessugas, anões do orçamento, bandidos, ladrões, corruptos, oportunistas, filhos da puta etc. Será que sobra alguém?

Tony Bellotto

1:49 PM  
Anonymous Maíra said...

eita,naum li tudo ainda...mas o pouco q já li,vi q tá muito bom,todo dia vou vir aqui dar uma olhada.Parabéns pelo trabalho de vcs.Gostei pq conta nos minimos detalhes quando começaram a gostar dos Titãs,isso q eh massa.
xD
bjus

8:57 PM  
Anonymous Anonymous said...

ÊITA FANATISMO HEIN? TUDO ISSO É FALTA DE SERVIÇO? VIU ARRUMAR UMA TROUXA DE ROUPA BEM SUJA PRAS QUATRO LAVAR.

TONINHO LEITE.

8:43 AM  

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