Wednesday, September 27, 2006

Texto 19
Ainda é muito bom
mesmo quando é ruim


Na manhã do dia 12 de julho de 2003, Fernanda, Liliane e seus dois amigos e convidados especiais para aquela aventura, Daniel e Renata, se encontraram na rodoviária de Belo Horizonte, de onde seguiriam para Barão de Cocais, município localizado a 110 quilômetros da capital mineira. Naquela noite, os Titãs se apresentariam em Santa Bárbara, cidade vizinha a Barão de Cocais.
A turma chegou a seu destino por volta das 13h. Estavam totalmente perdidos, não conheciam nada nem ninguém. O primeiro passo era encontrar um hotel, coisa que não existia em Santa Bárbara, o local do show. Não precisaram andar muito até avistarem o ônibus que carregava a equipe técnica dos Titãs, estacionado justo na frente de um hotel. Acharam que aquilo era um sinal e foram até o tal do Hotur. Lá, a recepcionista informou que não havia vaga, já que a banda e sua equipe ocuparam todos os quartos. Saíram de lá desolados e tensos. A possibilidade de passar o dia e a noite na rua não agradava a nenhum dos quatros. Mas a tensão só durou até um deles avistar o famoso Barão Palace Hotel (não se deixem iludir pelo nome). Tratava-se de um hotel construído sobre o barranco ao fundo de um posto de gasolina. Ok, ok. Nada de frescura, era a única saída. Pediram dois quartos, pela bagatela de R$ 58 cada. Depois de instalados, só conseguiam rir daquela situação, no mínimo, inusitada. Ficar em um hotel de posto, definitivamente, era mais uma da série: “coisas que você só vivencia por ser fã dos Titãs”. Mas tudo bem, tinha cama e chuveiro com água quente. E isso bastava.
Como ainda estava cedo, Lili, Ferdi, Daniel e Renata, resolveram sair para dar uma volta pela cidade (leia-se: andar alguns metros em círculo). Encontraram um supermercado e decidiram comprar algumas coisas para abastecer frigobar. Ah, sim, além de cama e água quente, havia frigobar no hotel de posto, apesar de não muito equipado. No supermercado tocava o Acústico dos Titãs e a trupe logo imaginou que toda a redondeza estava mobilizada com o evento.
A noite se aproximava e, enquanto caminhavam pela praça, Lili e Ferdi viram o ônibus que trazia os Titãs chegando na cidade. Esperaram a banda entrar para o hotel e foram falar com Fred. Ele perguntou como elas iriam para o show e ao ouvir que iriam, provavelmente, de táxi, ofereceu a elas uma carona em uma van, que estava sobrando. É lógico que aceitaram.
Algum tempo depois estavam na estrada: a van, o motorista, a Lili, a Ferdi, o Daniel, e a Renata, totalmente VIP’s. Um momento de conforto para compensar o hotel de posto.
Chegaram em Santa Bárbara e logo se posicionaram em frente ao palco, de onde detectaram duas coisas um tanto quanto esdrúxulas. A primeira é que o palco era montando em cima de um restaurante, de modo que qualquer pessoa pudesse, muito bem, jantar com os Titãs tocando nas suas cabeças, literalmente. E a outra bizarrice ficava por conta dos telões que exibiam, antes do show, uma gravação das já extintas Olimpíadas do Faustão, (com direito a ponte-do-rio-que-cai e afins).
As Olimpíadas estavam até ficando emocionantes quando Viça, o roadie, anuncia o início do show, para delírio de Lili e Ferdi. Aquele era um dos primeiros shows em que a banda mostrava novas músicas – Gina, Vou Duvidar e Nós estamos bem. Tudo transcorria normalmente, até que, bem no meio de A Melhor Banda de Todos os Tempos da Última Semana, rolou uma pane. De repente o som parou, tudo se apagou e cada titã saiu para um lado. Enquanto todos se entreolhavam, Ferdi e Lili tratavam de explicar para os debutantes, Daniel e Renata, que aquilo nunca havia acontecido. Viça entrou em cena novamente e acalmou ao público dizendo que os Titãs voltariam logo, e encerrou com o clássico “acontece nas melhores famílias”.
Cerca de dez minutos se passaram até Branco Mello vociferar: “um idiota em inglês, se é idiota é bem menos que nós”. Sim, ele continuou a música exatamente de onde havia parado e a galera vibrou com o retorno da banda ao palco. Já era 13 de julho e não havia maneira melhor de comemorar o Dia Mundial do Rock.
Fim de show. A turma procura pela “sua” van e deixa Santa Bárbara — a que apelidaram de Santa Babi — rumo a Barão de Cocais — a que Fred, o produtor, insistia em chamar de Condado de Cascais. Depois de comentarem todos os fatos do dia, finalmente, decidem dormir.
Na manhã seguinte, Fernanda saiu cedo do hotel e sentou-se num banco para ver o “movimento” da cidade. Na verdade, o único movimento que ela via era o de uma pessoa correndo ao redor da praça. Estava sem óculos e só podia ver o vulto. Algum tempo depois, seus amigos juntaram-se a ela e perceberam que um grupo de pessoas havia começado a se aglomerar na frente do hotel onde os Titãs estavam. E a primeira vítima da multidão foi Tony, interceptado pelo povo que queria fotos e autógrafos. Mesmo cansado, já que estava correndo pela cidade, Tony atendeu a todos. Só neste momento Fernanda percebeu que ele era o vulto que circulava a praça e lamentou a miopia.
Ao sair do hotel, Fred levou um susto com a multidão que ali estava e convidou Ferdi, Lili, Daniel e Renata para entrarem. Eles entraram, se espremendo entre aquelas pessoas, e encontraram os Titãs numa espécie de sala. Alguns tomavam café, outros assistiam ao Riff MTV. As meninas aproveitaram o momento para entregar um presente que haviam comprado para Charles Gavin, que tinha feito aniversário poucos dias antes. Falaram também com os outros integrantes da banda. Paulo Miklos se divertiu quando ficou sabendo da galera que os esperava na porta do hotel. Brincou dizendo que as pessoas deviam estar esperando pelo Leonardo ou pelo Daniel e, não, por eles. Mas Ferdi e Lili trataram logo de informar que Tony já havia sido atacado pelos mais afoitos Miklos não perdeu, claro, a oportunidade de brincar novamente: “O Tony é o nosso boi de piranha. Deixa ele ir na frente que a gente passa tranqüilo”. Mas Paulo se enganou, todos eles foram muito assediados na saída.
Os quatro amigos se despediram da banda e foram arrumar suas malas... No hotel de posto.

“Ainda é muito bom mesmo quando é ruim” – Qualquer Negócio (Domingo –1995
)

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