Wednesday, September 27, 2006

Texto 23
Agora quando eu ando pelas ruas
eu preciso tomar cuidado


Samara, que era sempre a primeira a levantar, tinha a árdua tarefa de acordar a irmã Marianny e a colega Nina. Só que tal tarefa se tornou ainda mais difícil nesse dia, já que as três tinham passado as duas últimas noites curtindo os shows do Ceará Music 2003, festival que ocorria, até então, sempre em outubro e estava em sua terceira edição. Porém, ela tinha uma carta na manga. Respondia a cada resmungo das meninas com a frase: “Hoje é o grande dia, vambora!”. O fato que tornava grandioso o dia era o show dos Titãs. Depois de já arrumadas para saírem, surge um problema. Bira, primo da Nina que estava dando carona todos os dias para as meninas até o hotel Marina Park, local do evento, ligou dizendo que teria que levar mais uma pessoa, e assim, no carro que já andava lotado não caberia toda a turma. Depois de um stress básico, ficou decidido que Nina ia com o primo e as duas irmãs iriam de ônibus.
Sam e Mary partiram, então. “Tudo bem, sem problemas”, pensaram elas. Só que no meio do caminho, já dentro do ônibus, elas descobriram que, naquele horário, o ônibus não mais passava em frente ao hotel. E só souberam disso quando o motorista já tinha pegado um desvio e partido em direção ao centro da cidade. Elas ficaram indignadas, mas nem adiantava reclamar. A solução era descer e encontrar alguma forma de chegar até lá. Por sorte, dois homens que estavam no ônibus iriam para o mesmo local que elas, e as ajudaram, não apenas a chegar ao Marina, mas também a fugir de um louco que corria bêbado pelas ruas do centro de Fortaleza e gritava coisas que é melhor nem repetir. As meninas ficaram apavoradas, mas o trajeto longo fez com que elas se esquecessem do louco, ainda mais quando tinham que caminhar sob um sol de rachar. Sono, sede, fome e calor era o que as duas sentiam quando, finalmente, chegaram ao local e encontraram Nina, Bira e os dois Caios, os privilegiados que foram de carro e chegaram sãos, salvos, dispostos e bem alimentados.
Depois de dois dias de agito, Sam, Nina e Bira estavam mortos e nem se esforçaram para correr – isso ficou a cargo dos outros três, que fizeram bem o seu papel e garantiram um lugar no gargarejo. Detalhe: o palco principal era bem longe da entrada. Já posicionados na grade de segurança, trataram de erguer a bandeira do fã clube Força Titânica Ceará. O primeiro show da noite foi da banda local Alegoria da Caverna. A turma se divertiu ao ouvir o grande “hit” da banda, que contém os seguinte verso: “mu mu muriçoca de Sabiaguaba”. Depois, Gabriel o Pensador, que eles adoraram! Só faltou mesmo a participação dos Titãs em Cara Feia, mas a animação do grupo foi tanta, que Gabriel teve que fazer uma pequena dedicatória “Prá galera dos Titãs!”. Em seguida veio o Kid Abelha.
E finalmente, sobem ao palco, depois da já tradicional apresentação do Viça (roadie do Charles), os mais esperados da noite: TITÃS! Além de todos os sucessos, eles também tocaram cinco músicas novas – Nós Estamos Bem, Gina Superstar, Você é Minha, Vou Duvidar e Eu Não Sou Um Bom Lugar – que só estariam no próximo disco da banda, o Como Estão Vocês, que seria lançado no mês seguinte. Mostraram que o novo CD seria rock puro! E num festival com inúmeras participações especiais nos shows, no dos Titãs não poderia faltar. E o escolhido foi George Israel (Kid Abelha) que assumiu o sax em Flores.
Tony Bellotto jogou várias palhetas para eles, mas nenhum conseguiu pegar, normalmente caia na mão de algum segurança espertinho, que tentava vendê-las. Uma hora e 15 minutos depois o show chegava ao seu fim. Fim de Titãs naquela noite? Era o que eles imaginavam, mas Paulo Miklos, Charles Gavin e Emerson Villani subiram ao palco e tocaram Diversão com Rogério Flausino e cia. Tony comentou depois com os fãs que Branco Mello entrou no titãs.net e leu que os Titãs estavam tocando com o Jota Quest. Pensado que o povo tinha surtado, ligou para Tony, que lhe confirmou a história. O guitarrista estava vendo pela TV seus três companheiros ainda em ação. Na noite ainda tocaria Natiruts, mas a aquela altura os amigos já estavam no carro de volta pra casa.
No dia seguinte, um domingo, dia de descanso? Que nada! Todo mundo na maior animação para encontrar com os caras. Está certo que Samara passou mais de meia hora para consegui acordar a turma. Afinal, Samara, Mary e Nina ainda tinham que terminar de confeccionar os desenhos feitos de xilogravuras que elas dariam de presente a banda. As xilogravuras, que se tratavam de uma imagem da banda, deram uma boa dor de cabeça para as meninas, mas no fim ficaram lindas! Pelo menos elas achavam.
Em algumas horas, Sam, Mary, Nina, Bira, Rômulo, Juninho e Emanuel estavam apostos no Aeroporto Internacional de Fortaleza Pinto Martins, só esperando o momento de “atacar”. Eles ainda levaram a bandeira do Força Ceará, que saiu de lá devidamente autografada. Os primeiros a chegar foram Branco, Britto, Paulo, Lee e Emerson. Sam e Mary pagaram um mico correndo atrás do Paulo para entregar a xilogravura. Nada que um “muito obrigado” do ídolo não compensasse. Apesar da pressa de todos, eles, como de praxe, atenderam bem a trupe — poses para fotos, mil autógrafos e um pouco de conversa.
Minutos depois, chegaram Tony, Charles e Fred. Com esses os fãs — que nesse momento eram apenas Mary, Sam, Bira e Nina — tiveram mais tempo. Puderam explicar melhor o lance das xilogravuras. Foi quando algo completamente inesperado aconteceu. Tony pediu para que eles autografassem os desenhos. Ele teve que repetir o pedido já que ninguém estava acreditando: “Claro! Não foram feitos por vocês?”, justificou o guitarrista. Então, lá foram os fãs surpresos escreverem os seus nomes com uma caligrafia meio trêmula, é verdade. Tony teve mais uma idéia: ele e o Charles assumiriam a máquina e tirariam fotos do grupo. Mais uma idéia aceita, lógico! O Charles se mostrou um excelente fotógrafo, fazendo até pose de profissional, mas pelo resultado da foto não era só pose. Tony, bem, o Tony é um bom guitarrista, um bom escritor, mas umas aulas de fotografia com Charles se mostraram necessárias, já que o guitarrista acabou cortando o Bira em uma das fotos e o enquadramento não ficou tão perfeito assim. Claro, que isso não importava nenhum um pouco, afinal, como o Fred comentou na hora, eles estavam muito bem de fotógrafos. Só que os artistas ali eram os Titãs e, então, Samara pediu para que os dois posassem fazendo o símbolo do Força Titânica.
E, assim, conversaram mais um pouco. E, como era dia das crianças, o assunto acabou sendo os filhos dos dois titãs. Tony comentou que, um dos seus, o João, já tinha ligado para reclamar que nem o pai, nem a mãe — Malu Mader, que gravaria naquele dia o programa Faustão — não estavam com ele. E o Charles aproveitou para mostrar uma foto de Dora, então com apenas alguns meses de idade. Todos concordaram que a menina era uma fofura. Os ídolos embarcaram, mas os fãs ainda se divertiram clicando fotos engraçadas pelo aeroporto, felizes da vida, claro.

“Agora quando eu ando pelas ruas eu preciso tomar cuidado” – O Homem Cinza (Televisão – 1985)

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