Wednesday, September 27, 2006

Texto 24
Quinze minutos de fama,
mais um pros comerciais


Fanática. Esse foi o apelido que ela ganhou e que é usado ainda hoje. Por causa de um fato, de um dia. Também pudera, não se tratou de um fato qualquer, de um dia qualquer. Foi o dia em que ela realizou o sonho de dez entre dez fãs: estar na MTV, apresentando os melhores clipes de sua banda preferida, ao lado da própria banda!
Desde que assistiu à primeira edição do Fanático MTV, em março de 2003, Fernanda havia decidido que, quando a banda da vez fosse Titãs, ela tentaria a sorte. Precisou esperar um bocado, já que eles foram os últimos a participarem do programa.
No final de novembro de 2003, Fernanda estava fazendo sua ronda diária pelo titas.net quando deparou com um recado de Sérgio Britto que a deixou empolgadíssima. Britto dizia, entre outras coisas, que na semana seguinte a banda gravaria o Fanático. Sem perder tempo ela entrou no site da MTV e fez sua inscrição. Tratava-se de um concurso de frases e ela escreveu o que lhe veio à cabeça, de supetão. Há quem duvide, mas é fato: Fernanda nunca mais se lembrou de que frase escreveu.
A boa notícia viria na segunda-feira seguinte, dia 1o de dezembro. Era uma segunda-feira como outra qualquer, com todos os percalços que são peculiares a esse dia. Mas havia um agravante: o Cruzeiro havia sido campeão brasileiro no domingo. Isso fazia daquele um dos piores dias da vida de Ferdi, fanática pelo Galo quase tanto quanto pelos Titãs.
Por volta das 13h, seu celular toca. Vendo que era uma chamada de São Paulo, imaginou que fosse Zélia, sua amiga. “Fala, maluca!”, “É a Fernanda?”, “Sim!”, “Oi, Fernanda, aqui é a Aninha da MTV...”.
Ela já não conseguia prestar atenção em mais nada do que a tal Aninha dizia. Só se lembra de que falou igual a pobre na chuva para convencer a moça de que era realmente fã da banda. Ao fim do telefonema ouviu palavras animadoras de Aninha — animadoras, mas não concretas: “Fernanda, eu estou fazendo uma pré-seleção, ligando para aqueles que escreveram as melhores frases. Caso a gente volte a te ligar é porque você foi a escolhida. Se não ligarmos é porque escolhemos outra pessoa. Mas gostei do seu papo. Estou torcendo por você”.
É óbvio que, naquela tarde, Fernanda não fez mais nada. A tensão durou até às 18h, quando veio, enfim, o telefonema derradeiro. “Fernanda, aqui é o Osmar da MTV. Gostaria de saber se você tem disponibilidade de vir para São Paulo na quarta feira?”. “É claro!!!!!”, respondeu ela, sem pestanejar.
Dois dias se passaram — numa lentidão absurda — e lá estavam Ferdi e sua dupla dinâmica, Lili, voando para São Paulo. Ao desembarcarem, um motorista da MTV as esperava com uma “plaquinha” onde havia escrito seu nome. “Fernanda! Ai, sou eu! Lili, eu sempre sonhei com isso!”.
A gravação começaria às 13h30 e, devido ao trânsito intenso em São Paulo, elas chegaram à emissora faltando apenas uma hora para o início de tudo. Osmar, o cara do telefonema, esperava por elas para o almoço. Ao entrarem no restaurante, Fernanda passa pela primeira situação constrangedora do dia. A equipe técnica dos Titãs almoçava no mesmo local e Viça, o roadie do Charles, não se controlou, em alto e bom som, exclamou: “Não acredito que você é a Fanática! Pode contar, qual foi a tramóia?”.
Fernanda, em versão muda e com a cara queimando, ouve o cara da MTV perguntar: “Você conhece esses caras?”. “Conheço, de tanto ir aos shows dos Titãs a gente acaba conhecendo a galera”, respondeu. “Mas os Titãs não vão te reconhecer não, né?”, insistiu Osmar. “Claro que não. Imagine...”, disfarçou Fernanda. “Ah, sim, porque a surpresa na hora do encontro é essência do programa”, filosofou o produtor.
Voltaram para emissora, faltava apenas meia hora para o início das gravações. Mas ninguém havia avisado isso para Fernanda. Ela só percebeu a gravidade da coisa quando de repente havia uma pessoa passando pó em seu rosto, outra encaixando o ponto eletrônico na sua roupa, enquanto o diretor, parado na sua frente, lhe mostrava uma lista com os clipes que seriam apresentados. “Ah, sim, mas o que eu tenho que dizer?”, perguntava a iminente apresentadora de TV. “Você vai dizer o que você quiser. Você é ou não é fã deles?”, provocou o tal diretor.
Antes de concluir o seu pensamento — que começava com um “Tô fudida!”—, Fernanda viu o produtor dos Titãs entrar no estúdio. Fred seria o responsável pela segunda situação constrangedora do dia: “É você? Não acredito! Essas meninas estão em todas”.
Fernanda temia que os Titãs também tivessem alguma reação do tipo, o que acabaria com a tal essência do programa. Mas eles se comportaram bem. Se reconheceram a fã, fingiram bem que não.
A gravação começou e Fernanda cumpriu sua missão com uma tranqüilidade, o que surpreendeu até a ela mesma. Nem parecia estar vivendo o seu momento máximo enquanto fã. A sensação de estar ali, ao lado de ídolos de uma vida inteira, tornou-se indescritível. Ela olhava para cada um deles e não conseguia acreditar que era ela quem estava ali, era ela quem fazia as perguntas a que eles respondiam.
Já estaria tudo perfeito, mas ainda havia mais reservado para a Fanática: ela ganhou um CD com uma dedicatória toda especial feita pela banda, assistiu ao show quase particular, recebeu elogios dos Titãs, fez novos amigos no mundo titânico e ganhou esse apelido que, às vezes, a tira do sério e a faz repetir bravamente: “Meu nome é Fer-nan-da!”
Mas, no fundo, ela sabe que foi por uma causa que valeu muito a pena. E não se cansa de contar essa história, embora já a tenha repetido exaustivamente para seus amigos, familiares, vizinhos...

“Quinze minutos de fama, mais um pros comerciais” – A Melhor Banda De Todos Os Tempos Da última Semana (A Melhor Banda De Todos Os Tempos Da última Semana – 2001)

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